Em meio a um coro de vozes influentes no universo da inteligência artificial, como Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, que alertam para a iminente extinção de empregos de nível inicial no setor corporativo, a Cognizant, uma gigante de serviços de TI avaliada em US$ 27 bilhões, propõe uma visão radicalmente diferente. Ravi Kumar S., o CEO da empresa, não apenas rejeita a ideia de que a IA aniquilará as oportunidades para recém-formados, como também está ativamente investindo neles.
A empresa planeja contratar mais de 20.000 recém-formados neste ano, demonstrando um otimismo cauteloso, mas firme, sobre o futuro do trabalho na era da IA. Essa estratégia contrasta acentuadamente com o receio generalizado que tem levado muitas organizações a reavaliar suas políticas de contratação e a focar em automação e otimização de processos com inteligência artificial.
Kumar S. foi enfático ao criticar o que ele chama de "AI tokenmaxxing", um termo que ele usa para descrever a obsessão de algumas empresas em quantificar e divulgar o número de "tokens" que suas ferramentas de IA são capazes de processar ou gerar. Segundo o CEO, essa métrica é superficial e não reflete o valor real ou o impacto tangível da IA para o negócio ou para a sociedade.
"Eu acho que 'tokenmaxxing' é uma métrica de vaidade", declarou Kumar S. em uma entrevista recente, conforme relatado pela Fortune. "O que importa é o valor que você entrega, não a quantidade de tokens que você processa. As pessoas estão obcecadas com os tokens, mas o que precisamos é resolver problemas reais de negócios e entregar valor". Essa declaração levanta um ponto crucial: a necessidade de focar na aplicação prática e nos resultados mensuráveis da IA, em vez de métricas técnicas que podem não se traduzir em benefícios concretos.
O executivo argumenta que a IA, em vez de eliminar empregos, tem o potencial de transformá-los e, em muitos casos, criar novas funções. A Cognizant, por exemplo, está investindo pesadamente em programas de treinamento e requalificação para seus funcionários, capacitando-os para trabalhar ao lado de sistemas de IA e a aproveitar as novas oportunidades que surgirão.
Do ponto de vista regulatório, a postura de Kumar S. sugere uma abordagem mais colaborativa e menos temerosa. Enquanto governos ao redor do mundo debatem a necessidade de regulamentações mais rígidas para a IA, com o objetivo de mitigar riscos como desemprego em massa e vieses algorítmicos, a Cognizant parece apostar na adaptação e no desenvolvimento de habilidades humanas para complementar a tecnologia.
No mercado, essa estratégia pode posicionar a Cognizant como uma força a ser reconhecida. Ao continuar a nutrir e a expandir sua força de trabalho com talentos emergentes, a empresa se prepara para atender à crescente demanda por soluções de IA que requerem não apenas tecnologia avançada, mas também a inteligência, a criatividade e a capacidade de resolução de problemas humanas.
A aposta em recém-formados, em vez de focar exclusivamente em especialistas em IA já consagrados, indica uma crença na capacidade de moldar e desenvolver talentos. Isso pode ser uma vantagem competitiva significativa, permitindo que a Cognizant construa equipes alinhadas com suas próprias metodologias e cultura, ao mesmo tempo em que injeta novas ideias e perspectivas no desenvolvimento de soluções de IA.
A crítica às métricas de "tokenmaxxing" também reflete uma maturidade crescente no mercado de IA. As empresas que conseguirem demonstrar um impacto real e mensurável – seja em eficiência operacional, inovação de produtos ou satisfação do cliente – provavelmente se destacarão em um cenário cada vez mais saturado de promessas tecnológicas.